"De dia ou de noite, porém, a minha biblioteca é um domínio privado, muito distinta das bibliotecas públicas, grandes ou pequenas, e igualmente diferente da biblioteca electrónica fantasmagórica sobre cuja universalidade continuo a ser um céptico moderado. A geografia e os costumes das três divergem de variadas maneiras, pese embora todas tenham em comum o desejo explícito de conferir harmonia ao nosso conhecimento e à nossa imaginação, agrupar e parcelar informação, reunir num único lugar a nossa vicária experiência do mundo e excluir experiências de muitos outros leitores, por via da parcimónia, da ignorância, da incapacidade ou do medo." in 'Biblioteca à noite' de Alberto Manguel (2016. Tinta da China)
BANDARRA . Semanário da Vida Portuguesa. Redactor principal: Pedro Corrêa Marques [a partir do n.º 40 com o jornalista Jorge Faria]. N.º 1 - 16 de março de 1935 [a N.º 43 - 11 de janeiro de 1936]. Lisboa. 43 números In-fólio E. em um volume. Diz Daniel Pires no 'Dicionário da Imprensa Periódica' que n'O Bandarra', inicialmente dirigido por António Ferro e mais tarde por Jorge de Faria e Pedro Correia Marques "é feita a apologia rasgada e exuberante de Mussolini e de Salazar. Particularmente deste político, são estampadas fotografias e um busto. No âmbito da cultura, postulam-se as premissas que António Ferro tutelou. José Régio, no nº 46 da 'Presença', afirma nomeadamente acerca deste periódico: «[...] é um semanário cujas opiniões e atitudes para com a literatura estão em razão directa das opiniões políticas dos escritores. "— És nacionalista? — Então és um génio! Eis a tábua de valores de 'Bandarra' e não vale a pena acrescentar nada.» "Fernando Pessoa colabora com «O Interregno — Defesa e Justificação da Ditadura Militar», António Botto assina o conto «O Novelo Divino», José de Figueiredo comenta uma carta inédita de Guerra Junqueiro, é apresentado um retrato inédito de Ramalho Ortigão, Hernâni Cidade e Manuel Múrias polemizam.
Romance histórico parcialmente escrito durante o 'Cerco do Porto', inspirado numa passagem da «Crónica de D. Pedro I» que decorre na cidade do Porto durante a época medieval. Conforme o próprio autor "Ha dôze annos, ha dez, ha cinco, ha tres, era inconveniente, era impolitico, não era generoso — que é peior ainda — recordar a memória de D. Pedro Cru açoitando por suas mãos um mau bispo." Recreava assim Garrett um cenário distante no tempo dos conflitos políticos e religiosos da era medieval, enquanto se pretendia recuperar o poder eclesiástico em detrimento do liberal. Um dos mais apreciados livros de Garrett e um dos mais célebres da literatura portuguesa do século XIX.
Clara Rocha, «Revistas Literárias do Século XX em Portugal», p. 343: "Com dois números de belo aspecto gráfico, esta revista de António Pedro «não toma posição de escola ou partido e serve-lhe para único compromisso um corte de relações com as múmias de todas as escolas e de todos os partidos. É uma revista de arte viva». "O primeiro número, que inclui diversas reproduções de trabalhos de Mário Eloy, Almada, Sarah Afonso, Carlos Botelho, Dórdio Gomes, Jorge Barradas, António Dacosta e tantos outros aparece sob o signo do inconformismo e da fantasia. "O segundo, votado ao «Mau gosto e ironia», pretende ser uma «intervenção contra o tabu do feio»". Rica colaboração literária de Carlos Queirós, Casais Monteiro, Clóvis Graciano, Lopes Graça, Vitorino Nemésio, António de Navarro, António Pedro, Diogo de Macedo, Sofia de Mello Breyner Andresen, Ruy Cinatti, José Régio, Manuel Mendes, António Madeira, Almada Negreiros, Jorge de Lima e muitos outros.
Interessantíssimo 'Anuário' que para além da sua atraente apresentação gráfica, em parte devida à muito extensa publicidade que incluí "contém assuntos da maior utilidade e importância, sendo os principais: moradas de cidadãos das cidades, vilas, e aldeias dos distritos de Coimbra e das Beiras, Aveiro e Leiria; orçamento do Estado, estatística e demografia, taxas, correios, telégrafos, telefones, lei do sêlo. Estatística comercial, de importação, exportação e reexportação. Regras de juros. Agricultura em todos os seus ramos. Jardinagem. Receituário. Profissões. Casas comerciais, fábricas. Médicos, advogados, párocos, magistratura. Câmaras Minicipais e tôdas as autoridades judiciais e administrativas. Secções histórica, literária e anedótica. Etnografia e Arte. Ensino primário, secundário e superior." VER MAIS
Opúsculo de literatura de cordel bastante invulgar, não referido por Forjaz de Sampaio nos «Subsídios para a História do Teatro Português — Teatro de Cordel» ou no «Catálogo da Literatura de Cordel (Colecção Jorge de Faria)» de J. Oliveira Barata e M. da Graça Pericão. Em «Folhetos de Cordel e outros da minha colecção», Arnaldo Saraiva regista a edição com o seguinte comentário: "Segue obviamente o modelo da edição de 1822.- Dobrado in octavo, tem na capa a mesma xilogravura, também colocada entre o título e a indicação editorial.- O texto começa no verso da capa com um "Prólogo ao leitor" e com uma capitular, e termina na contracapa."
Raríssimo folheto publicado sob o pseudónimo 'Hum Amigo da Religião, do Rei e do Povo', não descrito entre a bibliografia por nós consultada. Com interesse para a história da perseguição feita aos membros da maçonaria, em Coimbra. "Vindo o Bacharel 'José Guedes Garrido' a esta Cidade no dia 10 do corrente Julho, e recolhendo-se a umas Casas, que possue junto ao Açougue do Cabido, e indo no seguinte dia um criado deste a uma cisterna, que nas mesmas tem, tirara agua, não podendo extrahil-a por embaraços, que o balde achava, e até vendo que no mesmo vinhão alguns rolos de certos pannos, passou a dar parte a seu amo, o qual depois de fazer maiores averiguações, e tirando por isso cousas maiores, se encaminhou ao Doutor Juiz do Crime 'Neves', (...) o qual encaminhando-se ás ditas Casas, onde estava a 'spelunca latronum', e Loja de Pedreiros Livres, (...) quando já as ruas no dia 12 estavão atacadas de gente immensa de todas as classes e sexos, as quaes vendo que os não deixavão entrar para verem, lhe escrevêrão uma Carta Anonyma dizendo-lhe, que elle Povo tinha direito a vêr o que alli estava (...). Com effeito no dia 12 as mandou abrir, e appresentar nas grades da Sé Velha, que estão á roda do Adro, 1.º muitos papeis com varios distichos (...) dizendo alguns, que vivesse a Constituição; 2.º Muitas cobertas de varias côres, azul, verde, branco, e um panno preto, em que se achavão varias letras feitas com retroz amarello. Alguns vestidos, que se parecem com os que trazião os Judeos, (...). VER MAIS
Edição muito cuidada, impressa sobre bom papel e ilustrada com um retrato de Camões por Columbano, com o fac-símile da portada da primeira edição do Poema e ainda com vinhetas historiadas no início de cada Canto.
Trabalho ainda hoje muito procurado, com numerosos retratos intercalados nas páginas do texto. Com interesse para a história do movimento modernista em Portugal e da expansão da comunidade judaica. Assim, considera o autor: "Uma coisa espantosa está acontecendo em toda a Europa a ameaça abraçar o Mundo inteiro: essa coisa espantosa é a invasão dos Judeus! É a sobrevivencia das civilizações antigas da Caldéa avolumada no tempo à força da graça e da desgraça! Eis a invasão que não faz rinchar cavalos, nem rodar artilharias nas montanhas, mas que chega, entretanto, silenciosa, furtiva e gigantesca a abalar as instituições seculares!". Em «Assalto á Vida Mental», o autor ocupa-se de numerosos escritores: Pascoaes, Cortesão, António Nobre, Raul Brandão, Sá-Carneiro, Raul Leal, Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Amadeu de Sousa Cardoso, etc.
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