| TEXTO DE CARLOS J. PESSOA, DIRETOR ARTÍSTICO DO TEATRO DA GARAGEM Prezados, caras, sentidos, amigas e desconhecidos, queridas e queridos, espectadoras e espectadores O Abano aconteceu e a Tempestade vem aí! Dir-se-ia uma justaposição entre a última criação do TG e a próxima; dir-se-ia um sinal de tempos difíceis quando ao Abano quotidiano, ao temor que a pouco e pouco se instala por tantas vicissitudes enfrentadas, se sucede o rompimento da barreira, a deflagração da Tempestade por entre rugidos e vagas, no turbilhão do vento, da poeira, na ruína de navios e edifícios. Haverá paz no olho do caos? Sobreviver ao Abano não nos prepara necessariamente para a Tempestade. Entre os dois fenómenos campeia um clima tenso, a suspensão de decisões, o aguentar da parada, a chusma invisível de relatos contraditórios. Se o Abano ainda propunha a esperança, uma esperança patética, caramelizada e ainda assim propiciatória e gentil, a Tempestade poderá , ainda não sabemos, deflagrar o apocalipse, a aniquilação, ou, para ruína moral de todos, um copo de água agitado, uma tempestade num copo de água, o que pode significar adiamento, amargura, inépcia, veneno. É cabal a necessidade de um tempo afirmativo, claro, sereno e justo. É cabal a necessidade de uma higiene, de uma Tempestade que limpe, que lave. Que dos destroços se homenageiem os mortos, se encorajem os vivos, e se defina um novo ciclo sóbrio e capaz de se ater às causas generosas que nos trouxeram até aqui. E o que nos trouxe até aqui? A alegria, a ternura, o gostar dos outros, o ser afim de ti? E o que teima em doer? O que teima em se enganchar no coração como um tridente? Cobiça, ganância, indiferença, egoísmo, patologias e miasmas albergados no mais fundo da mente? Maldade, bondade, loucura? Um balanço do ocorrido, antes, durante e depois do naufrágio, irá impor-se; um processo, um julgamento, uma condenação e todavia: quem, afinal, perdidas as certezas, fez o quê e a quem? Como se clarifica o lugar dos criminosos? Sobre quem pesa a culpa, a responsabilidade e o ressentimento? O processo desde que não apenas jurídico, desde que afeito à compreensão mais profunda, desde que despido dos véus da razão peremptória, talvez devolva uma sensação de recuperação da dignidade e do respeito. Ou talvez não, talvez prolongue a agonia e a mágoa. A autoridade tem de ser restaurada em nome da magnanimidade e da elegância. Por artes mágicas, por teimosia, por sorte, por acaso? Afinal de contas , a autoridade sobrevém como a vida após o cataclismo. Porque a autoridade como a vida, é precisa, é urgente, é uma constatação incontornável que da exaustão se acende e remedeia. Do caos toda a gente se cansa. De magnanimidade e de elegância toda a gente se pode vestir. Das feridas destes tempos tão disruptivos, na surdina do sururu, na histeria das obsessões, na chantagem e no rumo incerto da traição, tudo se faz sem medida, sem prudência, sem retorno; apenas caminhar sem freio em direção ao abismo. Tempos árduos estes, fora dos eixos, descontrolados. Que ao lembrares os caídos uses de misericórdia calando os teus próprios monstros com um sorriso, com uma história para adormecer. Que nunca cesse esse desejo de bem e de beleza, mas que o teatro seja um instrumento ao serviço da tua vida, do melhor da tua vida, e não o contrário. Que o mundo não se reduza a um palco, que o palco te ajude a enfrentar o mundo. Carlos J Pessoa | | | | Não percam o concerto dos Lusitanian Ghost, no dia 14 de outubro, às 19h30, no Teatro Taborda. O colectivo Lusitanian Ghosts, cruzando cordofones regionais portugueses com uma abordagem de rock n roll internacional, apresenta o seu terceiro álbum, "Lusitanian Ghosts III". Gravado e misturado em Hamburgo, em fita analógica, nos estúdios Clouds Hill, o disco é editado em duas versões em vinil, em LPs mono e stereo. O alinhamento do espectáculo conta com Neil Leyton, Micke Ghost, Abel Beja, ToZé Bexiga, Janne Olsson e João Sousa no colectivo actual Lusitanian Ghosts. BILHETES Ficha técnica e artística Neil Leyton: voz Micke Ghost: viola Amarantina, voz Abel Beja: viola Terceira, coros António Bexiga: viola Campaniça Jan-Eric Olsson: baixo, viola Beirão João Sousa: bateria, adufe Produção: Repasseado FOH: Nelson Canoa Monição: Manuel Chambel Luzes: Aldeia da Luz Técnico de Gravação: Ricardo Ferreira Filmagens: Miguel Barriga / Ventos de Talento Acolhimento Teatro da Garagem Apoios Câmara Municipal de Lisboa, EGEAC, Junta de Freguesia de Santa Maria Maior Financiamento Direção-Geral das Artes, Governo de Portugal | Ministério da Cultura Mais informações: 218 854 190 | 924 213 570 producao@teatrodagaragem.com | | | O Teatro da Garagem acolhe, em outubro, o Buganvílias Coletivo com o espetáculo 'Tuvalu ou O Desaparecimento das Coisas'. Nos dias 20, 21 (sexta-feira e sábado às 19h30 e às 21h) e no dia 22 (domingo às16H30 e às 18h, no Teatro Taborda. Que responsabilidade tens na subida do nível do mar nos oceanos? O que fazes para alterar isso? Ou, qual foi a última coisa que desapareceu da tua vida? E o que desapareceu completamente em ti? Em TUVALU ou o Desaparecimento das Coisas, o público será convidado a entrar num espaço dedicado à reflexão sobre o mundo em que vivemos, numa experiência intimista e sensorial. Será conduzido num percurso habitado por vozes que levantarão questões sobre o Tempo, a Existência, a Mudança e a Resiliência e necessitará em momentos específicos de ativar a obra, tendo um papel ativo durante quase toda a experiência. TUVALU é uma ilha-país, que devido à crise ecológica corre o risco de ser submersa pelas águas oceânicas do Pacífico, a partir deste paraíso perdido, assistiremos ao nosso próprio submergir num espetáculo multidisciplinar, com uma visão de um futuro próximo, perdido. BILHETES Ficha artística e técnica Criação: Marina Leonardo e Nuno M Cardoso Realização: Marina Leonardo Textos originais: Jorge Palinhos, Marina Leonardo, Rui Pina Coelho, entre outros. Dramaturgia: Nuno M Cardoso Direção Técnica e Desenho de Luz: Luís Silva Instalação e cenografia: A definir Sonoplastia: Pedro Almendra Vídeos: Joana Teixeira e Marina Leonardo Vozes | Intérpretes: Luísa Osório, Marina Leonardo, Nuno M Cardoso, Pedro Almendra, Raquel de Lima, entre outras Fotografia: Nuno M Cardoso Cartaz: Raquel Araújo Produção executiva: Luísa Osório Produção: AMANDA | Medida Anónima – Núcleo com Buganvílias Coletivo Apoios financeiros DGArtes, Fundação Calouste Gulbenkian; Fundação GDA Apoio às Residências AJAGATO; Polo das Gaivotas | Residências da Boavista; Artistas no Palácio- Câmara Municipal de Vila Franca de Xira | Companhia Teatral Inestética Acolhimento Teatro da Garagem Agradecimentos CAMPUS, Câmara Municipal do Porto Mais informações: 218 854 190 | 924 213 570 producao@teatrodagaragem.com | | 
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