| Revisitar os Grandes Géneros: o Western (III) Na terceira e última parte do grande Ciclo dedicado ao western, olha-se para o que resta do género no cinema americano e internacional. Westerns contemporâneos de realizadores tais como Kevin Costner, Clint Eastwood e Quentin Tarantino misturam-se com filmes em que o universo e a mitologia do faroeste estão implícitos ou são desconstruídos. Abre-se espaço "para elas", realizadoras tais como Barbara Loden, Kelly Reichardt, Chloé Zhao e inclusive Valeska Grisebach, para se repensar o género num prisma novo e, acima de tudo, não necessariamente masculino. Destaca-se ainda neste programa a afirmação progressiva do western como um "hiper género", quer dizer, elemento que perpassa géneros. E, nesse sentido, olha-se para obras tão díspares como a space opera STAR WARS, a animação TOY STORY, o sci-fi de terror JOHN CARPENTER'S GHOSTS OF MARS e o filme de super-heróis LOGAN como títulos repletos de elementos westernianos participantes da História da evolução do género que, apesar de algo adormecido como tal, não cessa de se transformar e de operar ativamente na linguagem do cinema contemporâneo. Roberto Gavaldón Ativo entre 1936 e 1977, Roberto Gavaldón foi um dos nomes maiores do cinema clássico mexicano, período que abarca os anos 1930 e 1950 e é considerado no México como a idade de ouro do cinema naquele país. Foi neste contexto, em que o cinema era criado em moldes industriais e com excelentes condições técnicas, não ficando nada atrás do melhor que se produzia em Hollywood, que Gavaldón fez carreira, contando para tal com vedetas da grandeza de Dolores del Río, Maria Félix, Pedro Armendáriz e Arturo de Córdova. A retrospetiva que lhe é dedicada em setembro é composta por cerca de duas dezenas de obras, e incluirá clássicos absolutos do melodrama como LA OTRA, LA DIOSA ARRODILLADA e DESEADA, entre muitos outros. Será o colmatar de uma falha na História da Cinemateca, que no passado apenas mostrou quatro dos 41 filmes assinados por um dos grandes realizadores do cinema clássico tout court. Lionel Soukaz Este ano a retrospetiva conjunta da Cinemateca com o Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer é dedicada ao pioneiro do cinema queer francês Lionel Soukaz, falecido no início do ano. Membro do coletivo de ativistas e intelectuais FHAR (Frente Homossexual de Ação Revolucionária), Soukaz deixou a sua marca a partir das décadas de 1970 e 1980 em obras de cariz experimental e enquanto divulgador do cinema queer em França. Um cinema de uma enorme liberdade criativa que com o tempo se tornou mais autobiográfico e permitiu fazer um retrato pungente de temas como da epidemia da SIDA, de perdas pessoais e da luta diária pela sobrevivência de uma comunidade altamente discriminada. A acompanhar a retrospetiva que lhe é dedicada, a Cinemateca recebe Stéphane Gérard, o seu colaborador mais próximo dos últimos anos, para apresentar algumas das sessões e participar numa conversa com o público. Rob Rombout Com uma carreira iniciada no final dos anos 1970, Rob Rombout assinou mais de 30 documentários, na sua grande maioria títulos de um género que se pode definir como "cinema de viagem". Partindo do título de um livro recente sobre a sua obra (Rob Rombout, la mise en scène du réel, de Emmanuel Mélon), o Ciclo que a Cinemateca lhe dedica integra três vertentes do seu trabalho: o cinema, o ensino e fotografia. No que ao cinema diz respeito, mostraremos as seis horas de AMSTERDAM STORIES USA, uma viagem pelos Estados Unidos em busca de locais chamados Amsterdão, assinada a meias com Rogier Van Eck, e duas curtas/médias-metragens, entre as quais LES AÇORES DE MADREDEUS, um encontro com o grupo português no auge da sua popularidade nas paisagens açorianas. Na prática do ensino Rombout, que foi um dos fundadores do mestrado conjunto DocNomads, vai dar uma aula aberta sobre os métodos do documentário que propõe, seguida de uma sessão de filmes realizados por alunos deste mestrado orientados por si. Por fim, a fotografia, paixão mais recente, estará em foco na exposição temporária On the Road, que reunirá fotografias captadas entre Bruxelas e Lisboa, cidades onde vive, e em países tão diversos como França, Vietname, Camboja, Estados Unidos da América e Grécia. Cine-Ópera Já começa a ser uma tradição de final de verão, vestir o fato de gala no início de setembro e ir às salas da Cinemateca assistir a um conjunto de sessões organizadas em colaboração com o Operafest Lisboa. Este ano, tirando partido do tema do festival (amores proibidos), a proposta de cruzamento entre ópera e cinema centra-se num quarteto de filmes que vão desde a adaptação de La Traviata por Franco Zeffirelli à versão de Menina Júlia, de Strindberg, assinada por Alf Sjöberg, passando por O DIA DO DESESPERO, de Manoel de Oliveira, coincidindo com os duzentos anos do nascimento de Camilo Castelo Branco. O ponto alto? HERZOG BLAUBARTS BURG / BLUEBEARD'S CASTLE, transposição para televisão de O Castelo do Barba Azul, a única ópera criada pelo compositor húngaro Béla Bartók, por Michael Powell em 1963, e que durante muito tempo permaneceu uma obra-prima pouco vista de um dos maiores cineastas britânicos de todos os tempos. Outras sessões de setembro Há mais para ver em setembro na Cinemateca, a começar pela colaboração com um festival de cinema recém-criado: o LAFF – Lisbon Arab Film Festival. Na segunda edição do festival dedicado à celebração do cinema árabe, a Cinemateca recebe um conjunto de sessões de cineastas que trabalham naquela região, com destaque para a obra da cineasta libanesa Heiny Srour. Para os mais novos, setembro marca o regresso das sessões da Cinemateca Júnior, da qual se destaca um programa de curtas desenhado em com o Motelx sob o mote 'sustos curtos', entre outras surpresas a anunciar brevemente. Por fim, no ano que se se celebra o centenário do nascimento de Vasco Granja, a Cinemateca presta homenagem a um dos grandes divulgadores da Banda Desenhada e da animação em Portugal, influência para inúmeras gerações de espectadores, com uma sessão de clássicos do cinema de animação mundial. |